sexta-feira, 12 de junho de 2009

[conexoesufmg] Fwd: [crb_bh] DVDs com temáticas que trabalham o/a negro/a: um outro enfoque

Pessoal,
Acredito ser do interesse de muitos este mateiral comercializado pela Sobá Livros.
Abraços,
Maria da Conceição de Carvalho
___

De: Sobá Livraria & Café <sobalivros@uol.com.br>
Assunto: DVDs sobre Quilombos
Para:
Data: Quinta-feira, 4 de Junho de 2009, 17:06

Boa tarde,
Segue em anexo relação de DVDs sobre os Quilombos e Sinopses.
Quaisquer dúvidas gentileza entrar em contato.

Atenciosamente,
Erica / Rosane Pires
Sobá Livraria & Café
(31)3224-7655
sobalivros@uol.com.br
__________

Belo Horizonte, 04 de junho de 2009.

Relação de DVD’s

1 – Eu vi Boa Morte Sorrir (Simone Castro) – Documentário sobre a “Irmandade Nossa Senhora da Boa Morte”, mulheres negras religiosas que atuam desde o período da escravidão na cidade de Cachoeira – BA.

2 – Mulheres Negras (Márcia Meireles) – Depoimentos de militantes negras na década de 90: Sueli Carneiro, Raquel Oliveira e outras, refletindo sobre os efeitos do racismo em suas vidas cotidianas.

3 – Quando o Crioulo Dança? (Dilma Lopes) – Documentário com depoimentos de pessoas comuns sobre racismo, preconceito e discriminação na sociedade brasileira.

4 – O Atlântico Negro na Rota dos Orixás (Renato Barbieri) – Viagem no espaço e no tempo em busca das origens africanas da cultura brasileira. Historiadores, antropólogos, sacerdotes africanos e brasileiros relatam fatos históricos e dados surpreendentes sobre as inúmeras afinidades culturais e religiosas que unem os dois lados do Atlântico.

5 - A África antes da Invasão (Os Grandes Impérios e Civilizações) – A história visual do mundo africano: A África antes da colonização européia. Artes e História se entrecruzam nesse vídeo que é um verdadeiro oásis no deserto da história visual africana.

7 – Filhas de Zumbi (Anna Penido) – É uma mensagem às meninas em situação de risco, sobre os recursos que o seu próprio corpo oferece para sua sobrevivência através do canto, da dança e da poesia.

8 – Terras de Quilombo (Murilo Santos) – É um documentário sobre as comunidades negras rurais de Alcântara, no Maranhão, que discute o que ficou conhecido na literatura especializada como “ressemantização” do termo quilombo.

9 – A Negação do Brasil (Joel Zito Araújo) – Documentário de longa-metragem sobre os preconceitos, tabus e a trajetória do personagem negro nas telenovelas, o programa de maior audiência do horário nobre da televisão brasileira.

10 – Os Negros Querem Falar – Um relato fiel, sem retoques nem meias palavras da realidade do negro no Brasil, desde os porões do navio negreiro. Cenas fortes, ora ousadas ora poéticas e profundamente humanas. É o mais pujante e atual grito em favor dos direitos humanos, totalmente em benefício da raça negra.

11 – Quilombos Raízes Brasileiras (Armando Daudt / Milton Gonçalves) - Documentário bastante instigante no formato longa-metragem que retrata os diversos espaços ocupados pela população negra brasileira. Numa vibrante narrativa, Milton Gonçalves possibilita que a voz de negros e negras seja ouvida tornando-os sujeitos de sua história.

12 – Narciso Rap (Jéferson Dee) – História de dois meninos que encontram uma lâmpada mágica, o menino negro quer ser brando e rico e o menino branco quer tocar rap como os negros. Projeto voltado para a rede de ensino com o objetivo de discutir a questão do negro na sociedade.

13 – Olhos Azuis (Jane Elliot) – Exercício de reflexão operacionalizado por uma educadora norte-americana sobre as relações raciais naquele país. As atividades são desenvolvidas com crianças numa escola e, ainda, num Workshop com adultos brancos e negros, homens e mulheres.

14 – Uma Escola Muito Louca (Steve Miner) - Mark Watson, um rapaz branco não consegue sua bolsa de estudos na Universidade de Harvard. Para ocupar uma das vagas destinadas aos negros e estudantes de baixo poder aquisitivo ele toma uma pílula de bronzeamento intensivo e decide se passar por negro. Nesse processo ele descobre como é difícil ser negro em espaços onde há predominância da população e privilégios brancos.

15 – Kiriku e a Feiticeira - Kiriku é um garoto pequeno, mas muito inteligente e com dons especiais. Nasceu em uma pequena aldeia sobre a maldição da cruel feiticeira Karaba que secou as fontes de água e seqüestrou todos os homens da região. Encontrando amigos e seres fantásticos pelo caminho, Kiriku resolve combater a malvada feiticeira para salvar sua aldeia. História baseada em uma lenda da África Ocidental.

16 - Carlota Joaquina - A morte do rei de Portugal D. José I em 1777 e a declaração de insanidade de D. Maria I em 1972, levam seu filho D. João e sua mulher, a espanhola Carlota Joaquina, ao trono português. Em 1807, para escapara das tropas napoleônicas, o casal se transfere às pressas para o Rio de Janeiro, onde a família real vive seu exílio de 13 anos. Na colônia aumentam os desentendimentos entre Carlota e D. João VI.

17 - Joana D’Arc. - O filme retrata a figura de Joana D’Arc, através de uma aventura estilizada e uma versão mais humanizada do mito que se tornou a jovem de origem camponesa que conseguiu exaltar o nacionalismo francês, na luta contra os ingleses durante a Guerra dos 100 Anos (1337-1453).

18 - Quanto Vale ou é por quilo?
- Livre adaptação do conto "Pai contra mãe" , de Machado de Assis, o filme traz à tona a permanência na atualidade de nosso passado escravista, deixando clara a impossibilidade de olhar o presente sem levar esse passado em conta, assim como as persistentes desigualdades econômicas, sociais e de direitos no país.

19 - Hotel Ruanda - Em meio a um conflito que matou quase um milhão de pessoas em menos de 4 meses, um homem abre o hotel que gerencia para abrigar a maior quantidade possível de pessoas.

20 - Rompendo o silêncio - Depois do divórcio, a operária Sun Liying vive com seu filho surdo Zheng Da. Os problemas começam quando o filho chega à idade escolar. O menino é reprovado no exame de admissão na escola e é espancado ao tentar se defender dos outros alunos. Seu aparelho de audição é danificado, complicando mais ainda a situação, já que a mãe não tem dinheiro para comprar um novo. O filme mostra encantos do caráter da mulher chinesa comum e os sentimento comovente entre a mãe e o filho.

21 - Sarafina - Em pleno Apartheid, numa escola de Soweto, em que o exercito patrulha de armas e as crianças gritam “Libertem Mandela, uma professora ensina história de uma forma censurável fugindo ao currículo aprovado pelo regime. Sarafina é uma aluna negra, que relata a história sobre a forma de uma carta dirigida a Nelson Mandela e que, como tantos outros adolescentes, se sente revoltada face às injustiças do sistema. Um sistema que as incentiva a estudar para terem uma hipótese de vida mas que nunca lhes explica declaradamente que nunca terão uma hipótese de igualdade social.

22 - Acorda Raimundo - E se as mulheres saíssem para o trabalho enquanto os homens cuidassem dos afazeres domésticos? Essa é a história de Marta e Raimundo, uma família operária, seus conflitos familiares e o machismo, vividos num mundo onde tudo acontece ao contrário.

23 – Cambinda Do Cumbe – Entre os canaviais, “a gente deixou de andar a pé”, a brincadeira passou a ganhar o mundo nas rodas do caminhão, veio a lei do Detran e de ônibus, “nós passou a andar”. Filmados, fotografados, na mídia, “hoje o maracatu aparece na televisão, o retrato da gente é tirado”, vendido sei lá onde... Deus sabe por quanto, “ e minha vida mudou em que?!”

24 - Olhares sobre quilombos no Brasil – 05 volumes
As imagens aqui compartilhadas, em forma de Documentário, são resultado do encontro entre a equipe de realização do documentário “Um Olhar sobre os Quilombos no Brasil” e as comunidades que vivem em cinco áreas remanescentes de quilombos em cinco diferentes regiões do Brasil: Gurutuba (região que compreende municípios no Vale do Rio Gurutuba, norte de MG), Comunidades de Jauari, Pancada, Espírito Santo (localizadas às margens do rio Trombetas, Oriximiná-PA), Comunidade de Mocambo (no sertão do São Francisco, entre SE e AL), Quilombos de Barra e Bananal, (incrustados nas encostas da Chapada Diamantina, BA), Ivaporunduva (em região que preserva 7% da Mata Atlântica Brasileira, Vale do Ribeira, SP).

Termo que remetia incontestavelmente ao passado histórico do Brasil colonial, associado às estratégias de luta da população negra pela desestabilização do regime escravista sob o qual se assentava a economia colônia-metrópole, o quilombo ressurge, contemporaneamente, a partir da luta dos movimentos sociais por direitos e reparação, ganhando significado presente e um uso importante no atual contexto das relações inter-étnicas e sociais e da luta pela terra no Brasil. A partir da Constituição de 1988, o termo é inscrito no artigo 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, para conferir direitos territoriais aos remanescentes de quilombos que estejam ocupando suas terras, sendo-lhes garantida a titulação definitiva pelo Estado brasileiro.

Os quilombos passam a ser o lugar de sujeitos históricos que existem no presente e têm, como condição básica, o fato de ocupar uma terra que, por direito, deverá ser em seu nome titulada. Isso significa empreendimento fundamental, de consequências revolucionárias para tais comunidades: “encontrar o lugar do passado no presente” (Sahlins apud O’Dwyer, 2002:14)[1]. Um tornar presente, que não significa a cristalização e objetificação do passado, os sujeitos dessa história nos ensinam que a relação com um passado que garante pertencimento e identidade, deve ser mediada pelas definições (representações) e ações (práticas) dos próprios grupos étnicos no presente. É preciso levar em conta as diferenças consideradas significativas pelos próprios sujeitos, sendo os critérios de pertencimento associados a sua auto-determinação. É assim que o quilombo pôde ser definido por integrantes das cinco comunidades que visitamos, de diferentes maneiras, todas elas importantes para a compreensão dos significados atribuídos ao termo hoje e para sua relevância na luta pela reparação das desigualdades raciais, como veremos nas atualizações e reapropriações do conceito que aparecem nos depoimentos e compõem o filme documentário.

Para além de uma função de mero registro da “realidade” das comunidades quilombolas contemporâneas, acreditamos que o documentário “presentificam” falas e imagens resultados de uma reflexão que quisemos fazer juntos, eles e nós, sobre acontecimentos do presente, sobre questões históricas do passado, sobre a luta política que aponta para o futuro. Reflexões com as quais, indubitavelmente, muito aprendemos: sobre um país complexo, surpreendente, rico e diverso culturalmente e no qual encontramos pessoas dispostas a conquistar mais igualdade étnica e social do que temos sido capazes de promover até aqui. A luta continua nos vários territórios ainda a titular. A história também.

25 – Família Alcântara - Documentário que conta a epopéia cultural da Família Alcântara, integrantes de uma tribo angolana, os wasili, que viviam em terras próximas de Luanda, atual capital de Angola há 240 anos atrás. O filme pretende relatar o início da família no Brasil, escravizada nas lavouras de cana-de-açúcar, e o processo de retomada de suas origens e identidade ao se preservarem ao longo de séculos como grupo e a cultivarem sua cultura, que expressam por meio da música, teatro e festas religiosas.

Enviado por Luciana pela lista do Conexões UFMG
danilo, feop/se
sencenne sec genero

UFMG terá vestibular especial para índios

http://www.ufmg.br/online/arquivos/012137.shtml
quarta-feira, 10 de junho de 2009, às 18h27

A UFMG vai realizar um processo seletivo diferenciado para índios ainda em 2009, segundo a Pró-Reitoria de Graduação. Serão 12 vagas extras por ano, pelos próximos quatro anos, que não comprometerão as vagas do Vestibular. Elas serão distribuídas igualmente entre seis cursos: Medicina, Enfermagem, Odontologia, Ciências Biológicas e Ciências Sociais, no campus Pampulha, e Agronomia, em Montes Claros.

A iniciativa está ligada à crescente preocupação da UFMG com o respeito à diversidade e a inclusão. “É uma contribuição simbólica, mas representa o compromisso da Universidade em atender às demandas sociais de compreensão da pluralidade do país”, afirmou a professora Carmela Polito, pró-reitora adjunta de Graduação.

Segundo ela, em no máximo duas semanas será publicado o edital com as especificações da seleção, que deverá ser realizada em julho. Está prevista a aplicação de uma prova dividida em duas etapas, em um único dia. O vestibular será feito em parceria com a Fundação Nacional do Índio (Funai), responsável pela divulgação da prova, que vai acontecer anualmente em dois polos: Belo Horizonte e um segundo local (Recife, este ano).

As inscrições serão feitas mediante apresentação de documentos, incluindo uma carta de compromisso assinada pela comunidade indígena, reconhecendo os alunos como pertencentes a elas. “Mesmo que os índios tenham migrado para cidades, eles ainda podem participar, se estão ainda envolvidos ativamente com as comunidades”, explica Carmela Polito.

Foco na saúde
Os seis cursos foram escolhidos depois de avaliação da comissão responsável pela seleção – liderada pela professora da Faculdade de Educação Ana Maria Gomes –, em conjunto com os comitês indígenas de Minas Gerais e estudantes indígenas que estão cursando a formação de professores na UFMG. “Metade da demanda é na área de saúde. Embora a estrutura do sistema de saúde indígena seja bem organizada, há enorme carência de fixação de profissionais dessa área nas regiões em que se localizam as comunidades”, relata Carmela Polito.

Assistência e preparação
No caso dos índios, a permanência na universidade está estreitamente relacionada às condições de acesso. Por isso, a UFMG deve disponibilizar moradia para os alunos selecionados no edital. Serão firmadas parcerias com a Funai e outros órgãos governamentais para a distribuição de bolsas de assistência aos estudantes. “E a Fump vai disponibilizar os mesmos auxílios prestados aos alunos assistidos”, conta a pró-reitora adjunta.

Além de auxílio financeiro, a UFMG vai fornecer curso de preparação e nivelamento aos alunos, ministrado pelo Colégio Técnico (Coltec) durante um semestre. As aulas terão foco nas disciplinas básicas da área de graduação e na apresentação da estrutura da Universidade. “Eles terão contato com a nossa cultura e os nossos costumes. É um programa de adaptação, inovador”, diz Carmela Polito.

Dica de Josiane enviada pela lista do Conexões UFRJ.
danilo, feop/se
sencenne sec genero

A UFMG vai realizar um processo seletivo diferenciado para índios ainda em 2009, segundo a Pró-Reitoria de Graduação. Serão 12 vagas extras por ano, pelos próximos quatro anos, que não comprometerão as vagas do Vestibular. Elas serão distribuídas igualmente entre seis cursos: Medicina, Enfermagem, Odontologia, Ciências Biológicas e Ciências Sociais, no campus Pampulha, e Agronomia, em Montes Claros.
A iniciativa está ligada à crescente preocupação da UFMG com o respeito à diversidade e a inclusão. “É uma contribuição simbólica, mas representa o compromisso da Universidade em atender às demandas sociais de compreensão da pluralidade do país”, afirmou a professora Carmela Polito, pró-reitora adjunta de Graduação.
Segundo ela, em no máximo duas semanas será publicado o edital com as especificações da seleção, que deverá ser realizada em julho. Está prevista a aplicação de uma prova dividida em duas etapas, em um único dia. O vestibular será feito em parceria com a Fundação Nacional do Índio (Funai), responsável pela divulgação da prova, que vai acontecer anualmente em dois polos: Belo Horizonte e um segundo local (Recife, este ano).
As inscrições serão feitas mediante apresentação de documentos, incluindo uma carta de compromisso assinada pela comunidade indígena, reconhecendo os alunos como pertencentes a elas. “Mesmo que os índios tenham migrado para cidades, eles ainda podem participar, se estão ainda envolvidos ativamente com as comunidades”, explica Carmela Polito.
Foco na saúdeOs seis cursos foram escolhidos depois de avaliação da comissão responsável pela seleção – liderada pela professora da Faculdade de Educação Ana Maria Gomes –, em conjunto com os comitês indígenas de Minas Gerais e estudantes indígenas que estão cursando a formação de professores na UFMG. “Metade da demanda é na área de saúde. Embora a estrutura do sistema de saúde indígena seja bem organizada, há enorme carência de fixação de profissionais dessa área nas regiões em que se localizam as comunidades”, relata Carmela Polito.
Assistência e preparaçãoNo caso dos índios, a permanência na universidade está estreitamente relacionada às condições de acesso. Por isso, a UFMG deve disponibilizar moradia para os alunos selecionados no edital. Serão firmadas parcerias com a Funai e outros órgãos governamentais para a distribuição de bolsas de assistência aos estudantes. “E a Fump vai disponibilizar os mesmos auxílios prestados aos alunos assistidos”, conta a pró-reitora adjunta.
Além de auxílio financeiro, a UFMG vai fornecer curso de preparação e nivelamento aos alunos, ministrado pelo Colégio Técnico (Coltec) durante um semestre. As aulas terão foco nas disciplinas básicas da área de graduação e na apresentação da estrutura da Universidade. “Eles terão contato com a nossa cultura e os nossos costumes. É um programa de adaptação, inovador”, diz Carmela Polito.

Aula inaugural do Pré-SEED é marcada por debate sobre cotas

http://www.jusbrasil.com.br/politica/2360464/aula-inaugural-do-pre-seed-e-marcada-por-debate-sobre-cotas

Um debate sobre o Sistema de Cotas das Universidades Públicas marcou a aula inaugural do Pré-Universitário da Secretaria de Estado da Educação (SEED). Cerca de dois mil alunos, representando os 4.550 estudantes matriculados nos 30 pólos do Programa, compareceram na noite da última terça-feira, 14, ao Teatro Tobias Barreto, para se aprofundar sobre o tema apresentado pelo reitor da Universidade Federal de Sergipe (UFS), Josué Modesto dos Passos Subrinho, e pela professora Maria Batista Lima, mediado pelo secretário da Educação, professor José Fernandes de Lima. Após as exposições foi aberto um debate com os estudantes.

Espero que este encontro seja proveitoso para todos os estudantes da rede pública, pois o tema é de suma importância. Por determinação do governador Marcelo Déda, não estamos medindo esforços para recuperar o prestígio e a importância da escola pública, destacou o secretário, ao reforçar que o Pré-Universitário é um programa do Governo de Sergipe que possibilita melhores condições de acesso ao ensino superior para os alunos da rede pública estadual.

Reserva de vagas
O professor Josué Modesto logo deu uma excelente notícia aos estudantes da rede pública. Segundo ele, independentemente de haver ou não mudança na forma do vestibular em 2010, a Universidade Federal de Sergipe irá disponibilizar 50% das vagas para os alunos egressos das escolas públicas. Isso representa 2.500 vagas, pois estaremos ofertando 5 mil vagas em 2010. Ele ressaltou que o sistema de cotas vai beneficiar somente o estudante que tenha cursado no mínimo quatro anos na rede pública.

A UFS terá o maior prazer de receber todos vocês, disse o reitor, ao informar que sempre estudou em escolas públicas. Tenho a maior satisfação em fazer tal afirmação, disse.

Possivelmente a partir de outubro deste ano o MEC deverá unificar o processo seletivo das instituições de ensino superior em todo o país, mas o reitor lembrou que ainda não existe uma definição do Governo Federal e a UFS vai manter o sistema de seriado até o processo ser totalmente definido.

Poderá continuar da mesma forma do vestibular ou será feito pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Caso seja assim, o aluno terá de responder às provas raciocinando mais, em vez de usar a memorização, disse.

Política de acesso
A professora Maria Batista Lima apresentou o Programa de Ações Afirmativas (PAAF) desenvolvido pela UFS. De forma pedagógica e apresentando dados estatísticos de várias universidades públicas do país, ela se aprofundou nas políticas de ações afirmativas e nas políticas públicas de acesso diferenciado.

O acesso à universidade pública através de algum sistema de reserva de vagas já é uma realidade na maioria dos estados, implantado em cada um deles a partir de estudos sobre seus contextos sociais específicos, ressaltou. Segundo ela, a institucionalização da reserva de vagas para alunos provenientes da escola pública e o critério étnico-racial estão presentes em todas as propostas, inclusive deverá virar lei federal.

Ao explicar o PAAF, criado em setembro de 2007 e aprovado pelo Conselho do Ensino, da Pesquisa e da Extensão da UFS em outubro de 2008, a professora disse que um dos objetivos do programa é promover a formação humana solidária antirracista com impacto nos currículos da carreira profissional a partir de políticas de acesso, de preferência e de inserção sócio-profissional dos alunos e das universidades.

Provas nos pólos
Aproveitando a presença do reitor da UFS e dos alunos do Pré-Universitário, o secretário de Estado da Educação, professor José Fernandes de Lima, disse que vai reivindicar na Universidade Federal de Sergipe a realização das provas do vestibular nos pólos do Pré-Universitário do interior, evitando a vinda dos estudantes para Aracaju.

Muitos deles já ficam em desvantagem, pois chegam aqui cansados, desgastados fisicamente. O Governo do Estado fará de tudo para oferecer melhores condições para que os estudantes da rede pública estadual entrem na universidade, concluam o curso e possam ingressar com competência no mercado de trabalho, afirmou o secretário.

No último vestibular da UFS, José Fernandes de Lima lembrou que o Governo do Estado pagou a taxa de matrícula de mais de 2.600 estudantes. Para este ano, deveremos ampliar o número de beneficiados, ressaltou.

Atuantes
Atenta aos mínimos detalhes das palestras, a estudante Soraia Valente dos Santos disse que o sistema de cotas é uma forma justa que vai beneficiar os alunos egressos das escolas públicas. Temos que aproveitar todas as oportunidades, mas antes de pensar na universidade, terei que estudar muito. No Pré-Universitário irei aprender mais, pois sei da existência de excelentes professores, opinou. Ela vai estudar no Colégio Leandro Maciel e pretende tentar uma vaga no curso de fisioterapia.

Bem mais tranquila estava Débora Suely da Silva Brito. Minha expectativa é enorme. Espero aproveitar bastante durante as aulas do Pré-Universitário. No último vestibular da UFS muitos estudantes conseguiram aprovação, provando a boa qualidade do ensino oferecido pela Secretaria de Estado da Educação. Espero que agora chegue minha vez, disse.

Jéssica Gomes Soares estava ansiosa, mas confiante no seu sucesso profissional. Temos que acreditar sempre. Tenho sede em aprender, desenvolver minhas qualidades dentro e fora da sala de aula. O Pré-Universitário será uma importante ferramenta deste objetivo que irei alcançar em breve, pontuou a estudante.

Ao final da solenidade, houve um sorteio de vários livros literários que foram doados pelas editoras. Prestigiaram a solenidade a deputada estadual Conceição Vieira, a secretária municipal de Educação de Lagarto, Vanda Monteiro, diretores e assessores da SEED, professores e pais de alunos.

Sucesso no Vestibular
O número de aprovados no último vestibular da UFS e de outras instituições de ensino superior comprova o sucesso do Pré-Universitário. Este ano, ocorreram 1.179 aprovações na Universidade Federal de Sergipe, nas modalidades presencial e à distância (Universidade Aberta do Brasil/UAB), e 1.063 em outras universidades, totalizando 2.242 aprovações. O número é praticamente o dobro de 2008, quando 1.134 conquistaram o direito de estudar numa universidade.

Dica de Cátia Matias, ex-conexitas/feop-SE, mestranda na UFS
danilo, feop/se
sencenne sec genero

A Polemica sobre Cotas na UERJ


Por um país de direitos
Por Francisco Marcelo*

Nas últimas semanas, acompanhamos pela imprensa do Rio de Janeiro a polêmica que trata sobre as cotas nas Universidades do Estado, por conta de uma liminar impetrada pelo deputado estadual Flávio Bolsonaro (PP), sob alegação de inconstitucionalidade. Para o deputado, a política de cotas é ilegal, uma vez que consta na Constituição que “ninguém será discriminado ou privilegiado em razão da raça”.

Desde a primeira lei, datada de 2000, que reservou 50% das vagas na universidade para estudantes que tivessem cursado, integralmente, os ensinos fundamental e médio nas escolas públicas, a política de cotas nas Instituições de Ensino Superior (IES) do Estado vem sofrendo modificações. Entre as várias emendas recebidas está a redução na reserva de vagas de 50% para 45% e a adesão de subcotas para os autodeclarados negros (pretos e pardos); para os estudantes que cursaram todo ensino básico nas escolas públicas; para os portadores de necessidades especiais e para os filhos e filhas de servidores mortos no cumprimento do dever: policiais, agentes penitenciários e bombeiros.

À época, o primeiro argumento contrário veio dos gestores acadêmicos, sob alegação de que as cotas desrespeitam a autonomia universitária. Como os interesses da universidade não podem estar acima dos interesses da sociedade, este argumento não obteve o efeito desejado. Outra tentativa foi lançar mão do discurso meritocrático, chamando atenção para uma possível queda na qualidade do ensino e seu impacto direto na formação dos profissionais. Fatos que não se confirmaram ainda nas primeiras turmas que concluíram o ensino superior após a implantação das cotas.

Acreditamos que hoje, o dilema que mobiliza boa parte das discussões sobre as cotas é seu recorte racial. A questão é: por que os demais quesitos como recorte social, ensino público, deficiência física, entre outros, não despertam debates e reações na sociedade a ponto de recorrerem ao judiciário para sua anulação?

Durante décadas o discurso da democracia racial permeou várias ações do estado na proposição e criação de políticas públicas, principalmente no acesso ao ensino superior. No entanto, o acesso à universidade sempre foi uma realidade distante para as famílias afro-brasileiras. Sendo assim, o que explica o verdadeiro levante contra as cotas e recorte racial? Será a herança escravocrata brasileira? Será que realmente as cotas podem ajudar a destruir a democracia (harmonia) racial no nosso país? Há democracia racial em nosso país?

Aqui nos limitamos a responder a última pergunta. O que há em nosso país é um mito da democracia racial, utilizado como uma espécie de cortina pela elite brasileira para negar, até os dias atuais, uma dívida histórica com o povo afro-brasileiro. O diploma acadêmico no Brasil sempre teve cor e classe. Um bom exemplo são as políticas educacionais do primeiro governo Vargas. Os estudantes das escolas públicas recebiam aulas de etiqueta e higiene. Deveriam ser asseados, pois traziam consigo as marcas da pobreza. Era um verdadeiro processo de catequização cultural. Era preciso negar suas origens, esquecer quem eram e de onde vieram. Surgiram assim nossos primeiros trânsfugas.

O fato de não termos vivenciado uma luta civil por questões raciais não significa que não há racismo em nosso país. Estranhamente, as pessoas que apregoam o discurso de uma possível cisão racial com a adoção das cotas, são as mesmas que engrossaram as trincheiras contra as ações afirmativas. É importante lembrar que essa cisão racial tem uma defasagem de 121 anos. Ela deveria ter ocorrido em 1888, momento em que os escravos libertos foram abandonados à própria sorte. Os afro-brasileiros (pretos e pardos) são detentores hoje – e sempre – dos piores indicadores sociais. Os negros são maioria nos presídios, entre os desempregados, entre os analfabetos, os sem teto e entre muitos outros. Isso por si só já seria motivo suficiente para uma guerra civil, uma cisão racial.

As cotas fazem parte de uma das várias iniciativas de ação afirmativa que visam ao combate da discriminação e à reparação devida para com grupos historicamente desfavorecidos, entre eles, os afro-brasileiros. Muitos argumentam que seria impossível reconhecer os descendentes de escravos, já que a miscigenação racial atinge mais da metade da população brasileira. O argumento parece interessante, mas pouco sustentável se recordarmos a forma como essa miscigenação se deu no Brasil. Certamente não foi da maneira harmônica e romântica como muitos buscam fazer parecer.

Os mais de trezentos e cinqüenta anos de escravidão, associados a uma abolição sem política de inclusão ou reparação, e, ainda, a iniciativas republicanas discriminatórias, são justificativas suficientes para a implementação de políticas de ação afirmativa no Brasil. Esses e mais fatores, como a discriminação racial, foram determinantes na estagnação social da maioria dos afro-brasileiros. A luta por cotas é também a luta por melhores oportunidades. Não se pretende romper com o pacto social racial em nosso país. O direito ao ensino superior deve estar assegurado desde o momento em que a criança é matriculada no primeiro ano do ensino fundamental. A melhoria da educação deve caminhar junto com as políticas de ação afirmativa. Dizer que as cotas raciais são inconstitucionais porque ferem o direito de igualdade é discurso retórico, pois ocorre justamente o contrário. O racismo no Brasil é de marca, ou seja, discrimina-se pela cor da pele do indivíduo e esta interfere subjetivamente no juízo de valor que a sociedade infere aos cidadãos. Ninguém é discriminado por ter pele clara, mas sim, por carregar na pele a “maldição de cam”. Discriminação que gera marginalização que por sua vez gera marginalidade com consequências sociais irreversíveis.

É importante enfatizar que o racismo não é uma invenção brasileira e que as políticas de ação afirmativa buscam contrabalançar as diferenças entre brancos e negros. Ninguém está culpabilizando os euro-descendentes ou euro-brasileiros por questões e atitudes de seus antepassados, mas é inegável que muitos foram favorecidos pela discriminação racial contra os afro-brasileiros. É diante dessas questões objetivas e simbólicas que dizem respeito ao modo de inserção do negro na nossa sociedade, que acreditamos nas as cotas como um importante meio de reparação e ação afirmativa.

* Francisco Marcelo, integrante da vertente Desenvolvimento Territorial e articulador nacional do Programa Conexões de Saberes

Retirado da lista nacional do Feop
danilo, feop/se
sencenne sec genero

quarta-feira, 10 de junho de 2009

terça-feira, 9 de junho de 2009

Ciclo de debate do Feop-unirio


Aqui tem um ótimo espaço pros movimentos Feop e Sence dialogarem no Rio de Janeiro. Parece que em breve teremos nosso espaço aqui em Sergipe (UFS).Taí a dica.

Enviado por Sabrina na lista nacional do Feop
danilo, feop/se
sencenne sec genero